
Em conflito com o meu coração, eu luto pra esquecer, imploro pra esquecer. Eu não queria, eu nunca quis me render a esse sentimento, mas não encontrei nenhuma outra saída a tempo. O meu mundo te pertencia, mesmo que só eu soubesse, só eu sentisse e ninguém mais, inclusive você se importasse em saber, ou pelo menos considerar o fato de que existia realmente algo muito intenso vindo de mim. Infelizmente eu dou voltas, voltas e percebo que voltei pro lugar do qual nunca sai. Porque só eu sei, só eu vivo. E é irrelevante, indiferente lutar contra um sentimento que parece se consolidar a cada segundo que passa. Eu prometi e jurei que não iria mais ouvir a sua voz, e nem sentir o seu cheiro. Eu vou pra longe de você, eu joguei tudo pra trás, eu vou fugir. Mas é vazio e frio o bastante, pra eu me desmontar novamente e sair correndo pra conseguir um abraço seu. Malditos abraços, malditos olhares, maldito! Existem tantas coisas que eu vivi, que você nunca viveu, foram tantas noites, procurando aquele brilho, e o silêncio continuo pra me fazer ouvir somente a sua respiração. Mas nada disso foi o suficiente, e eu tive que aceitar. Procurei as palavras exatas pra dizer, ou quem sabe não dizer nada. Senti saudade de momentos que eu não vivi, me perdi na vontade de sentir um sentimento que eu não senti. Só que eu sei muito bem que a noite vêm pra tirar de nós milhares de lagrimas e pra calar a voz. Eu achei que não iria mais dormir, mas acordei e vi que o sol voltou a brilhar. Caminhei só, por um caminho que eu tive medo de trilhar, abri minhas janelas e deixei a luz entrar. Lavei o meu rosto e não te enxerguei mais. Me ceguei ao te olhar e finalmente encontrei a paz.
Por @saaprado
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